26.4.06

amor é amor, isso ninguém nunca negou. mas também ninguém nunca definiu direito o que é. nos dicionários filosóficos, amor é um complexo emaranhado de definições que passam em degradê de uma simples afeição ao amor incondicional. é tudo amplo demais.

nós precisamos classificar pra enteder, mas nem sempre é a melhor saída. agindo assim, tentamos fingir que entendemos, que é algo que não temos medo, que compreendemos ao ponto de não se deixar arrebatar muito menos abater. nos tornamos frias máquinas racionais. mas bem no fundo sabemos que não é isso não. o amor é a praga que glorifica a nossa espécie.

gerações e gerações de pessoas passaram por este mundo, e todas elas amaram. e muitas vezes amaram demais e tiveram medo por não saber o que é o amor de verdade ou como lidar com ele. a gente costuma dizer que tem medo de sofrer, mas na verdade não é isso. o ser humano tem medo apenas do que não conhece. e nós não conhecemos o amor, nem depois de anos de experiência, leitura e pesquisa. e por não conhecê-lo, muitos de nós temos medo de amar, ou de desenvolver aquela ânsia pelo outro a um nível estável e seguro.

mas isso não é nada com o que se preocupar, aifnal se nossos antepassados se viraram tão bem sendo ignorantes nessa matéria, porque nós vamos reprovar? para amar basta um e outro. nada mais. nada menos. a correspondência de amores é ótima, mas quando não há não é também estritamente necessária. há aqueles que amam passivamente e os que amam ativamente. há os que amam com atrevimento, com inocêcia, com malícia, com coragem, com rancor. há os que amam com uma mistura disso tudo. amar em nenhum momento é uma coisa ruim. é sim, quase sempre, difícil, por causa da vida que levamos, nos escondendo atrás de imagens de nós mesmos, ou de falsas seguranças com as quais nos comprometemos pra nos manter estáveis. mas até nesses casos o amor prospera. não tem como escapar.

há de se ter paciência, isso sim. a mãe de todas as virtudes. paciência pra que o tempo passe, pra que nossa ansiedade seja mais branda, para que feridas cicatrizem, para que o mundo gire. amor e paciência sempre combinam. combinam tanto que eu arrisco dizer que em 100% dos casos em que duas pessoas se amaram e se corresponderam, houveram momentos (mesmo assim) em que a paciência se fez necessária. houveram brigas, diferenças, insegurança, tristezas, desapontamentos. mas o amor continuou lá, agarrado na esperança, abanando essas coisas acúleas com um ventilador da marca paciência.

eu sempre digo: se tiver que sofrer, sofra. mas sofra o tempo que achar necessário. faça drama, alugue uns filmes românticos, chore, coma sorvete, engorde uns quilinhos. se a gente não sabe o que é amor, pelo menos de sofrimento a gente entende. só não vale ser irresponsável. antoine du saint exuperý disse uma vez que somos todos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos (lá vou eu de novo com esse papo, né?). e temos que sempre agir de maneira a honrar nossos sentimentos e os dos outros. principalmente os dos outros. dessa forma não tem erro. mesmo desconhecendo o amor, a gente sabe que existe o respeito pelo sentimento alheio, e com respeito tudo melhora.

então não morra de amor. não mate por amor. não desista de tudo, nem aceite qualquer coisa. isso é ignorância, radicalismo. seja apenas feliz por sentir o amor e poder experimentá-lo. escreva sobre seus sentimentos, fotografe, desenhe, expresse ele de alguma forma. isso vai lhe ajudar a compreender melhor o que é o amor e o que fazer com ele em qualquer situação. guarde tudo bem guardado pra, quando for preciso, ler (ou ver) e se lembrar. pode parecer bobo, mas ajuda.

Postado por fael às 11:45 PM |


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