14.12.05
eu me entrego.
melhor que ninguém eu faço isso. as pessoas me têm na mão o tempo todo. é arriscado, eu sei. quem se entrega pode ser cruelmente descartado. eu já fui várias vezes. e continuo sendo o mesmo, me entregando. meu peito fica aberto 24 horas por dia, de segunda à segunda.
é triste constatar, mas minhas convicções em relação às pessoas estava errada. ninguém se importa com o sentimento alheio, com gestos bondosos ou responsabilidades. quando se é pateta, como eu, o mundo monta em você. e não importa como você aja, ele sempre vai esperar para exlporar você, tirar de você o que ele precisa e depois abandoná-lo para que outro possa tomar a vez na corrente do abuso. quando as pessoas são demais puras e inocentes, o que o mundo lhes guarda é apenas o estupro e a corrupção.
ninguém dá a mínima. as pessoas dizem que dão, fazem caras e bocas quando você demonstra insatisfação e você fica confuso, achando que perdeu algum detalhe ou que deveria ser menos exigente. mas na verdade o único deus que impera nas mentes mais sãs e sempre mais corretas que a sua é apenas o deus UMBIGO. uma pena que esse deus de nada serve a ninguém, pois tantos o adoram, e como! por mais que você quebre o bezerro de ouro, por mais que se esfregue a relidade no rosto do próximo, o umbigo estará soberano em uns poucos minutos. afinal, choques existem, mas a recuperação é instantânea (se comparada ao tempo de uma vida). reconhecimento é uma palavra riscada dos dicionários há muito.
eu me sinto muito como um ratinho de laboratório. sou eletrocutado a cada vez que escolho o corredor errado do labirinto. sou um ratinho burro, entretanto. eu não reprimo meus instintos, procurando formas de superar o obstáculo. considero isso institucionalização. todos são condicionados a vencer sem importar quais sejam os fins, os meios e os princípios. eu apenas sigo em frente esperando algo melhor acontecer, pode haver uma rachadura por onde eu possa passar. eu quero provar algo e espero que alguém consiga um dia perceber. nem sempre o jeito certo é o único jeito. e eu não estou justificando um erro. estou apenas sendo absurdo.
agora, a tragédia reside no fato de que eu sei que não vou provar coisa nenhuma a ninguém. mas eu continuo tentando. pacientemente esperando. como sísifo. afinal, camus já disse uma vez: "os tristes têm duas razões para o ser: ignoram ou esperam".
Postado por fael às 4:11 AM |