4.6.05
antônimo, pseudônimo, heterônimo. avestruz, cocaína, símbalo. triângulo, fitoterápico, amêndoas e castanhas. lítio, martini, ricota. metrônomo, barômetro, deuteronômio.
um sentimento bom está começando a chegar. as coisas fluem sob um sol frio e luminoso, fazendo com que preocupações se dispersem, oportunidades arpejem, e prometendo uma boa safra. eu anseio a colheita. anseio a boa música de dias pacíficos e as deliciosas paisagens de sonhos concretizados.
recompensas e alegria. momentos bons de paz e calmaria. se eu tivesse uma borracha mágica, apagaria todo o meu passado e viveria desta época em diante. minha fé aumentou. minha cintura diminuiu. meus pés fedem. minha cabeça dói. meus músculos involuntariamente se contraem. meus sentimentos se solidificam e a minha confiança só cresce. sou capaz de sonhar os sonhos mais belos. sou capaz de escrever pesadelos terríveis. consegui um alguém pra encostar a cabeça. consegui uma cabeça pra encostar em alguém. vinte anos de treino, de prática, de erros e acertos. montanhas intransponíveis ultrapassadas e planícies verdejantes ainda não exploradas. uma metrópole na minha mente, uma flor no meu peito, um par de asas nos meus pés. vinte anos de sonhos. um quarto de vida registrado por dois olhinhos marrons encontrados aqui no chão. não há resumo, nem orgulho. apenas receio de um dia ter que voltar para o lugar onde comecei. não há impedimentos, não há. a mágica sou eu quem faço. abro a boca e pronto: mil polígonos deformados e milhares de figurinhas cognitivas. onde quer que eu vá, levo isso comigo. e atinjo você. e você atinge outro. e assim por diante. merda de corrente do bem que eu inventei, odeio esse filme.
molhado e ensaboado, com os olhos ardendo e o cabelo cheio de bolhas. junto jaz uma jujuba. fermenta em mim aquele programa milenar conhecido antigamente como rituallístico de passagem. "tu estás parecendo mais velho, com cara de homem". vinte anos nas minhas mãos, nas rugas, nos recordes, nos mínimos detalhes. vida vem, vida vai. o que vai volta, mas o que volta nem sempre fica, e o medo se constrói em cima de pequenas premissas populares sem base filosófica. lógica nenhuma. eu que sou todo razão, dominado por sentimentos absurdos e cada vez mais inflamado por uma coragem de determinar um ego sólido e polido. conclusão nenhuma, estou em processo de fabricação. vinte anos andando pelado sob tecidos multicoloridos e nuances de "sou o que sou". imagem eu não tenho, sou só alguém que anda, come e fala. nada especial, mas sempe querendo ser. a busca é muito mais importante que qualquer outra coisa, mesmo sem entender direito o porquê. império de uma inocência boba trajada por um conhecimento parco e superestimado. vinte anos e nem uma gota da bebida púrpura. preciso encomendar pra pessoa certa.
subordinado, atravessado, desmedido. cobra, lagarto e dragão. oitenta e dois, onze, fanta laranja. página, limo, escaravelho. super-homem, impressora matricial, mp3.
deus é digital. \\
The Rentals - Naive
Postado por fael às 1:33 PM |